Eu sou a Priscila. Trabalho com vendas enterprise B2B de tecnologia há mais de 15 anos, abrindo mercado no Brasil para empresas globais de software, com passagens por Salesforce, Qualtrics e Workiva. Vendi de small business e mid market a large enterprise, e nesse caminho vi de dentro dezenas de contratações e movimentações de profissionais de vendas brasileiros para dentro de empresas estrangeiras, gente subindo de nível e seguindo remota, sem trocar de cidade.
Mas a razão de esta curadoria existir é a minha própria história. Em 2020 voltei para o Rio e decidi que crescer na carreira não ia mais custar morar em São Paulo. Era AE de SaaS, remota, numa empresa que já tinha crescido e naquele momento os planos de promoção estavam congelados ou em revisão. Recebi proposta de uma empresa americana que estava entrando no Brasil, sem entidade jurídica aqui, com contratação por uma empresa parceira, que é a firma que assina o seu contrato no lugar da estrangeira que ainda não tem CNPJ no país. Ao longo do contrato a empresa contratante chegou a mudar, e eu segui. A mudança me deu 50% de aumento, um nível acima de cargo, comissão agressiva e um pacote que empresa nacional não monta: ações no meu nome via RSU, direito de comprar ação com desconto via ESPP, e dois bônus de entrada separados, o hiring bonus, que já estava negociado, e um signing bonus adicional, condicionado a eu assinar até uma data específica.
Três anos e meio depois veio a demissão, na reestruturação que pegou muita gente boa. Na minha recolocação eu tinha um critério inegociável: não morar em São Paulo. Tirei seis meses de sabático, levei dois meses de busca ativa e, no momento da decisão, eu tinha três propostas na mesa, todas remotas, todas negociadas até chegar no salário que eu queria. Eu escolhi, não fui escolhida por falta de opção. Fechei com o mesmo salário do cargo anterior, 100% remota, sem sair do Rio, em território estratégico, com draw agressivo nos primeiros meses, que é o adiantamento de comissão enquanto o pipeline amadurece, onboarding presencial nos Estados Unidos e kickoff de vendas fora do país aprovado no mês seguinte ao onboarding.
Não foi sorte e não foi indicação. Na empresa que eu escolhi, eu não conhecia uma única pessoa. O networking foi construído do zero, de fora para dentro, exatamente pelo método que virou esta curadoria. Depois de fazer esse caminho duas vezes e ajudar amigos e familiares na mesma direção, eu aprendi onde essas vagas ficam escondidas, quais empresas realmente contratam brasileiro, e como se posicionar para que um recrutador de fora leia experiência de mercado brasileiro como qualificação. Esta curadoria é a engenharia reversa do que eu fiz.